GUIA · ORIENTAÇÃO · 6 min de leitura

Os três nortes da carta

Norte geográfico, norte de quadrícula e norte magnético, o que é declinação e como converter um rumo da bússola para a carta.

Trecho de carta da Serra do Rio do Rastro em estilo sépia

No canto de uma carta topográfica costuma aparecer um pequeno diagrama com três setas: NG, NQ e NM. Elas mostram três “nortes” diferentes, e saber a diferença entre eles evita erros de vários graus em campo.

Norte geográfico (NG)

É a direção do Polo Norte geográfico, aquele por onde passa o eixo de rotação da Terra. Os meridianos apontam para ele. Também é chamado de norte verdadeiro.

Norte de quadrícula (NQ)

As cartas topográficas brasileiras usam a projeção UTM, que desenha uma quadrícula de quadrados perfeitos sobre a carta. As linhas verticais dessa quadrícula apontam para o norte de quadrícula.

Como a Terra é curva e a carta é plana, as linhas da quadrícula só coincidem com os meridianos no centro de cada fuso UTM, o meridiano central. Longe dele, existe um pequeno ângulo entre o NQ e o NG: a convergência meridiana. Ela cresce com a distância ao meridiano central e com a latitude, e no Brasil chega a cerca de 1,5° nas bordas dos fusos do Sul.

Norte magnético (NM)

É para onde aponta a agulha da bússola. O polo magnético não fica no polo geográfico, e o campo magnético varia de lugar para lugar, então a bússola quase nunca aponta exatamente para o norte geográfico.

O ângulo entre o NG e o NM é a declinação magnética. Ela é chamada de leste (E) quando a agulha aponta para a direita do norte geográfico e de oeste (W) quando aponta para a esquerda. Em boa parte do Brasil a declinação é oeste e grande, perto de 20°.

Carta da Serra do Rio do Rastro
Na carta da Serra do Rio do Rastro gerada no GoMapTopo, a declinação magnética calculada para 2026 é de 19°20′ W.

A declinação muda com o tempo

O campo magnético da Terra se move devagar, e a declinação muda alguns minutos de grau por ano. Por isso a carta informa a declinação e o ano, além da variação anual. O GoMapTopo calcula esses valores para o centro de cada carta com o modelo WMM2025, o mesmo usado em sistemas de navegação.

Da bússola para a carta

Um rumo medido com a bússola é um azimute magnético. Para levá-lo à carta, some a declinação, considerando leste positiva e oeste negativa:

azimute geográfico = azimute magnético + declinação

Exemplo na Serra do Rio do Rastro, com declinação de 19°20′ W (ou seja, −19°20′): um rumo de 100° na bússola corresponde a 100° − 19°20′ = 80°40′ em relação ao norte geográfico. Para o caminho inverso, da carta para a bússola, subtraia a declinação.

Para trabalhar com a quadrícula UTM, desconte também a convergência meridiana, usando o ângulo e o lado indicados no diagrama da própria carta.

Ignorar uma declinação de 20° significa errar o destino em cerca de 350 m a cada quilômetro caminhado.

Resumo

  • NG: a direção do polo geográfico, a dos meridianos.
  • NQ: a direção da quadrícula UTM, separada do NG pela convergência meridiana.
  • NM: a direção da bússola, separada do NG pela declinação magnética, que muda com o tempo.

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