ARTIGO · RELEVO · 6 min de leitura

Como ler curvas de nível

Equidistância, curvas mestras e o que o espaçamento entre as linhas diz sobre a encosta, com a Serra do Rio do Rastro como exemplo.

Trecho de carta da Serra do Rio do Rastro em estilo nanquim, com curvas de nível

Uma carta topográfica mostra o relevo, que tem três dimensões, numa folha plana. O recurso mais usado para isso é a curva de nível: uma linha que liga pontos de mesma altitude. Se você caminhasse sobre uma curva de nível, não subiria nem desceria nem um metro.

Uma boa imagem é a de um morro cortado em fatias horizontais, todas com a mesma espessura. O contorno de cada fatia, visto de cima, é uma curva de nível.

Equidistância: o passo entre as fatias

A diferença de altitude entre duas curvas vizinhas é a equidistância. Ela é a mesma em toda a carta e vem escrita no rodapé, por exemplo “equidistância das curvas: 20 m”.

A escolha depende da escala e do relevo. Numa região montanhosa, com centenas de metros de desnível, curvas a cada 5 m virariam um borrão. Numa planície, curvas a cada 100 m quase não apareceriam. Por isso as cartas oficiais usam valores como 10 m, 20 m, 50 m e 100 m, de acordo com a escala.

Curvas mestras e intermediárias

Para facilitar a leitura, uma a cada cinco curvas é desenhada mais grossa e recebe o valor da altitude. É a curva mestra. As outras, mais finas, são as intermediárias. Com equidistância de 20 m, as mestras ficam a cada 100 m: 800, 900, 1.000 m.

Os números das cotas são escritos ao longo da linha, com o topo do texto virado para o lado mais alto do terreno. Esse detalhe ajuda a saber, de relance, para onde o relevo sobe.

Carta da Serra do Rio do Rastro no estilo clássico
Na Serra do Rio do Rastro (SC), as curvas se apertam na escarpa da Serra Geral e se afastam no planalto, à esquerda.

O espaçamento conta a declividade

Esta é a regra mais útil: curvas próximas indicam terreno íngreme; curvas afastadas, terreno suave. Como o desnível entre duas curvas é sempre o mesmo, quanto menor a distância horizontal, maior a inclinação.

Na carta acima, a faixa escura em que as linhas quase se encostam é a escarpa da Serra Geral, onde a estrada desce em curvas fechadas. À esquerda, no planalto, as curvas se abrem e o terreno fica ondulado.

Dá para estimar a declividade com uma régua. Se duas curvas de 20 m estão a 1 mm de distância numa carta 1:50.000, a distância real é de 50 m, e a declividade é de 20 ÷ 50 = 40%.

Topos, vales e divisores

Algumas formas se repetem em qualquer carta:

  • Topo de morro: curvas fechadas, uma dentro da outra, com a de maior altitude no centro. Muitas vezes há um ponto cotado marcando o cume.
  • Vale: as curvas formam um “V” ou um “U” que aponta para montante, isto é, para o lado mais alto. O rio corre no fundo desse V.
  • Divisor de águas (espigão): as curvas formam um “V” que aponta para o lado mais baixo. A chuva que cai de cada lado do divisor vai para vales diferentes.
  • Sela: um ponto baixo entre dois topos, onde as curvas de um lado e do outro quase se tocam.

Como ler uma carta em quatro passos

  1. Leia no rodapé a escala e a equidistância.
  2. Encontre as curvas mestras e as cotas mais altas e mais baixas da área.
  3. Siga os rios: eles mostram para onde o terreno desce.
  4. Observe o espaçamento das curvas para achar as encostas íngremes e as áreas planas.
No GoMapTopo, você escolhe a equidistância (de 5 a 200 m) e vê na hora como a carta muda. Experimente a mesma área com 10 m e com 50 m.

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